quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Esquerda dividida: PSOL alivia Serra e a direita

DEBATE ABERTO (DA CARTA CAPITAL)

PSOL alivia Serra e oposição de direita

O programa televisivo nacional do PSOL, apesar de divulgar iniciativas importantes como a CPI da dívida pública, e efetuar denúncias essenciais como a da recente legislação agrária pró-latifúndio, incorre em grave erro político ao não denunciar a oposição de direita, composta principalmente pelo PSDB e DEM.

por Antônio Augusto, na Carta Maior

O programa televisivo nacional do PSOL, em 30 de julho, apresentou como principal característica a ausência de críticas à oposição de direita, composta principalmente pelo PSDB e DEM.
Apesar de divulgar iniciativas populares e democráticas importantes como a CPI da dívida pública, e efetuar denúncias essenciais como a da recente legislação agrária pró-latifúndio, destruidora da floresta, na Amazônia, o PSOL, a meu ver, incorre em grave erro político.
Considera o governo Lula, um governo de centro, o inimigo central dos trabalhadores.
Nada mais falso. Se o governo Lula não ameaça o grande capital, está longe de ser o governo dos sonhos do grande capital.
Um governo ao estilo do de FHC, totalmente vende-pátria e privatizante, sumetido sem contratempos à hegemonia dos EUA, esse o goveno ideal do grande capital e das forças mais à direita (PSDB, DEM, PPS).
Eis a razão da campanha constante da grande mídia, Organizações Globo à frente, contra o governo Lula.
O núcleo duro da direita

O núcleo duro da direita está no PSDB, DEM, na mídia vendida (a quase totalidade da mídia); expressão política das forças sociais mais reacionárias, inimigas centrais dos trabalhadores e do povo: o grande capital imperialista e brasileiro, com destaque para o parasitismo financeiro e especulativo; o latifúndio, com destaque para sua versão moderna e predatória, o agronegócio.
O governo Lula é um governo de centro, com origem popular e democrática, obrigado por sua própria natureza a relevantes concessões populares e democráticas (por exemplo, o bolsa-família; o clima, no geral, de preservação e ampliação das liberdades democráticas; uma política timidamente desenvolvimentista - o PAC, e muito menos privatista que a de FHC, etc).
Mas o PSOL concentra o fogo no governo Lula e alivia o principal inimigo dos trabalhadores, a oposição de direita.
O poder vai muito além do governo Lula

Parte assim de uma lógica primária, considerar o governo como o responsável central pelos problemas populares, quando o real poder no Brasil vai muito além do governo Lula: está concentrado na política antipopular, antidemocrática e antinacional das gestões monetaristas do Banco Central; no domínio da economia brasileira pelo imperialismo e o conjunto do grande capital; na grande mídia.
Ao não entender, ou talvez seja melhor dizer, não poder entender isso, o PSOL, ao tomar como inimigo central o presidente Lula (cuja grande popularidade não se deve ao acaso), ao aliviar completamente a oposição de direita, corta quaisquer possibilidades de diálogo, convencimento e aliança com as imprescindíveis e amplamente majoritárias bases populares do lulismo.
No mais, o programa televisivo do PSOL mostrou os habituais personalismo e incontinência verbal de Heloísa Helena. E, momento triste, apareceu a deputada Luciana Genro - a mesma financiada nas eleições pela Gerdau, grande empresa do ramo siderúrgico beneficiária das privatizações; a mesma deputada que chegou a convocar passeata no Rio Grande do Sul em comum acordo com o movimento "Cansei", versão atualizada das marchas golpistas de 1964 -, tendo ao fundo "denúncias" da Veja, o panfleto mais virulento da extrema-direita.
E a independência da esquerda?

Pelo visto, a próxima eleição presidencial de 2010 aponta para uma aliança objetiva, consciente ou inconscientemente, da ultra-esquerda (PSOL, PSTU, PCB) com a candidatura mais reacionária, a candidatura privatizante e neoliberal do tucano José Serra, todos empenhados em bater no governo Lula.
Dado que o PC do B adere de maneira praticamente acrítica ao governo Lula, num desvio de direita, inverso ao da ultra-esquerda, a eleição de 2010 surge como ainda mais preocupante: os comunistas, e as demais forças populares, democráticas, e de esquerda, tendem a não exercer sua própria independência política, ficando a reboque de forças políticas e sociais alheias.
Antônio Augusto é jornalista
Ô Ô PSOL, COMO É QUE É, VOCÊ É A ESQUERDA QUE A DIREITA QUER!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

UNIR A LUTA DO CAMPO E DA CIDADE

As nossas primeiras matérias publicadas aqui em nosso Blog atentam para fatos ocorridos e pouco divulgados provocados pelo governo facista de Ana Julia e seus asseclas e parceiros na luta contra o povo pobre do estado do Pará.
É tarefa militante de nossa corrente(tendência, como queiram) denunciar e empunhar a bandeira de denuncia e enfrentamento a esse desgoverno contra o povo. Nós da Atitude Socialista estamos no front, tanto na luta operária sindical,como buscaremos o diálogo com os principais movimentos da luta camponesa.
"Não temos tempo a Perder.nosso suor sagrado é bem mais belo que esse sangue amargo"

'UNIR A LUTA DO CAMPO E DA CIDADE É ATITUDE SOCIALISTA DE VERDADE'
*Por Edivaldo Viana (Professor e ativista sindical)

Extraido do Jornal a Nova Democracia - Online )

Editorial - Estado fascista em crise mata como nunca

Mais uma liderança camponesa é assassinada no sul do Pará. Mais uma covarde ação promovida pelo latifúndio que mata como nunca com o aval do velho Estado semifeudal e semicolonial brasileiro.

Luiz Lopes de Barros era liderança histórica e reconhecida pelas massas do Pará. Dedicou a vida à destruição do latifúndio, essa chaga aberta e purulenta que se alimenta do sangue de brasileiros e brasileiras para manter vivo um capitalismo burocrático, funcional ao imperialismo.

A execução de Luiz Lopes, numa torpe emboscada em uma estrada próxima ao acampamento da fazenda Batente, município de Conceição do Araguaia, sul do Pará, é a 13ª tendo como vítima algum camponês que participou da tomada da fazenda Forkilha no fim de 2007. Segundo as denúncias de seus companheiros, as circunstâncias de sua morte envolvem uma orquestração entre um latifundiário, seus capangas e gente do Incra na tentativa de comprar as lideranças do acampamento Gabriel Pimenta. Luiz teria se negado a aceitar o suborno e os denunciado. Além disto, no dia seguinte ao que foi assassinado, Luiz prestaria depoimento como principal testemunha do assassinato do camponês De Assis, no qual o acusado é o fazendeiro Ernandes, da fazenda Nazaré. Por estas razões Luiz foi assassinado.

Desde que a chamada Operação "Paz no Campo" desencadeada pela gerência estadual de Ana Júlia Carepa/PT, numa verdadeira operação de guerra prendeu, torturou e humilhou centenas de trabalhadores, AND vem denunciando a associação das instituições do Estado com o latifúndio e seus bandos armados na contínua perseguição e assassinato de camponeses no sul do Pará. O próprio Luiz Lopes denunciou inúmeras vezes que sua cabeça estava a prêmio na região, mas nunca renunciou a sua luta pela terra, dando seu contributo de sangue à causa da libertação da terra e dos camponeses das garras do latifúndio semifeudal e da dominação imperialista no Brasil.

O velho Estado a serviço do latifúndio concorre com esse morticínio com todo o tipo de incentivo e acobertamento jurídico. Suas forças policiais prendem, torturam, achacam e desarmam as massas; o Judiciário ordena seguidas e violentas "reintegrações de posse", cobradas pelo STF presidido por Gilmar Mendes. E como os latifundiários são quem detém o poder de fato naquele estado, a gerência estadual do PT se esmera em executar suas ordens.

A verdade é que o conflito no campo está mais radicalizado que nunca. E a violência ainda desaba quase que apenas nas cabeças dos camponeses. Em Pernambuco, município de Brejo da Madre de Deus, cinco camponeses foram também executados em circunstâncias ainda nebulosas enquanto construíam uma casa no assentamento Chico Mendes, dirigido pelo MST. Nesse caso nem Gilmar Mendes nem Luiz Inácio ou os monopólios de imprensa se indignaram.

Em Rondônia, a pistolagem associada às polícias ganha dimensões fabulosas, com os camponeses sofrendo ataques diariamente, seja de bandos armados pelos latifundiários, Polícia Militar, Ambiental, Federal, Força Nacional, Ibama e Incra, que multam camponeses que há anos estão na terra, impedem que lhes chegue alimentos e outros abastecimentos, barram a saída de seus produtos, cercam os acampamentos e despejam tiros sobre homens, mulheres e crianças. Os bandos paramilitares chegam ao ponto de sequestrar e torturar membros do movimento camponês.

Por outro lado, movimentos classistas e combativos têm avançado em sua luta pela destruição do latifúndio, a libertação das forças produtivas e a construção do novo poder passo a passo nas áreas libertadas. Como AND tem noticiado, cresce o número de tomadas de terras nas quais os camponeses recusam qualquer direção oportunista e qualquer relação com o velho Estado. Os processos de Cortes Populares, Assembléias do Poder Popular e Comitês de Defesa da Revolução Agrária se ampliam e deixam cada vez mais claro qual é o caminho para o movimento camponês na atual situação.

Em tempo, agosto marca o aniversário da Batalha de Santa Elina, quando em 1995 bravos camponeses combateram uma força mista de policiais e pistoleiros a soldo do latifundiário Antenor Duarte. Desde então, a cidade de Corumbiara e o estado de Rondônia acompanham o desenvolvimento de um pujante movimento camponês que hoje dá duros golpes no latifúndio. Em sua crise de decomposição em suas três esferas de poder (Executivo, Legislativo e Judiciário) e nas suas três instâncias (federal, estadual e municipal), o velho Estado brasileiro, com toda podridão que salta aos olhos do país, só encontra saída na escalada fascista e genocida sobre os pobres em luta, na cidade e no campo.

RAIO X DA COVARDIA RURALISTA

Terror no campo

Luiz Lopes de Barros foi um dos principais mobilizadores e organizadores da histórica tomada do latifúndio Forkilha pelos camponeses, que foram brutalmente reprimidos pela operação "Paz no Campo" desencadeada em 19 de novembro de 2007 pela governadora Ana Júlia (PT) com a finalidade de expulsar 1.100 famílias daquelas terras. [ver AND edição nº 39 de janeiro de 2008].

Durante essa que foi a maior operação militar contra a luta camponesa no Brasil desde a repressão contra a Guerrilha do Araguaia, as forças de repressão do velho Estado burguês-latifundiário prenderam e torturaram centenas de camponeses. E mais uma vez Luiz Lopes se colocou à frente da luta contra a criminalização do movimento camponês combativo participando de audiências públicas, denunciando a perseguição e ameaças a dirigentes e ativistas.

A tomada da Forkilha e a postura combativa da LCP frente às perseguições do latifúndio encorajou ainda mais as massas camponesas do sul do Pará, que desencadearam uma verdadeira onda de tomadas de terras. A cabeça de Luiz Lopes foi colocada a prêmio. Naquela ocasião, a Liga dos Camponeses Pobres denunciou que o latifúndio oferecia entre R$ 50 e R$ 55 mil pela morte do dirigente camponês.

Após a deflagração da operação "Paz no campo", 13 camponeses foram assassinados no sul do Pará. Luiz Lopes denunciou incansavelmente que havia uma lista de 17 camponeses marcados para morrer, inclusive ele próprio. O que se concretiza posteriormente à repressão sangrenta da Forkilha é uma sequência de mortes.

1. Cícero - Assassinado na fazenda Santa Tereza (Redenção)
2. "Barba" - Assassinado no mesmo ataque de pistoleiros contra o camponês Cícero.
3. "Foguinho" - Era acampado da fazenda Forkilha. Assassinado em Redenção.
4. Nivaldo - Mobilizador de famílias para a tomada da Forkilha. Assassinado em Redenção.
5. De Assis - Foi acampado na fazenda Forkilha. Assassinado no Acampamento Nazaré, Conceição do Araguaia.
6. Carlitão - Acampado na fazenda Colorado do complexo Forkilha. Assassinado em Redenção.
7. Rodolfo - Liderança do Acampamento da fazenda Vaca Branca. Assassinado em Redenção.
8. José Ribamar - Acampado da fazenda Vaca Branca. Assassinado em Redenção.
9. Raimundo Pati - Acampado da fazenda Vaca Branca. Assassinado em Redenção.
10. Rivaldo - Conhecida liderança camponesa de Cumaru do Norte e Redenção. Assassinado em Redenção.
11. José Filho - Pequeno proprietário assassinado por grileiros em Redenção.
12. Luiz – Acampado da Vaca Branca. Assassinado com 6 tiros em Redenção. O pistoleiro teve a ousadia de ir ao velório do camponês ameaçar seus familiares.

Luiz Lopes é o 13º nome dessa lista sinistra.
Morte anunciada

Nos últimos meses, Luiz Lopes empenhava-se na mobilização de famílias para uma nova tomada de terras e relatou aos seus companheiros que recebia ameaças constantes.

Outras contradições e cruzamentos de armações entre o Incra e o latifúndio denunciados pela LCP e organizações de defesa dos direitos do povo levantam evidências de que tramavam a morte do companheiro Luiz — declarou Ivan Duarte, ativista do movimento camponês em Redenção, Pará.
Relatos de camponeses contam que recentemente um representante do latifúndio teria telefonado para Luiz Lopes para negociar a desapropriação da área onde se encontra o acampamento Gabriel Pimenta (fruto de uma tomada de terras organizada pela LCP).

— Ele acionou o dispositivo viva-voz do celular e todos puderam ouvir o representante do latifundiário dizer: "vamos conversar com você, estão querendo que essa conversa seja feita aqui em Redenção, vocês podem vir para o hotel" — declarou Ivan Duarte.

Como esse tipo de decisão só poderia ser tomado no Incra, Luiz Lopes decidiu não ir à tal "conversa".

— Logo depois outro preposto do latifúndio telefona para o dirigente camponês e diz: "o Alex está aqui junto com o Batista, eles querem conversar com você sobre uma das fazendas que fazem parte do Gabriel Pimenta, e eles estão aqui no restaurante Panela de Barro..." — continuou Ivan, acrescentando — o Luiz retornou a ligação e colocou o telefone da sede da Liga no viva-voz. Ele respondeu de forma que todos os companheiros pudessem ouvir: "nossa conversa é no INCRA, fora isso não temos o que conversar. Se vocês quiserem discutir, negociar alguma coisa no INCRA nós estamos à disposição, se vocês não querem, não tem conversa".

Os latifundiários ainda tentaram aliciar outros camponeses com a proposta de indenizar os camponeses caso saíssem das terras.

Na terça-feira, dia 9 de junho, os representantes do latifúndio ligam novamente para Luiz Lopes e dizem que se não houvesse negociação, eles iriam decidir o que fazer e apenas comunicariam.

Na sexta-feira (12), o Luiz Lopes participou de uma Assembléia Popular na área Gabriel Pimenta. A Assembléia aprovou por unanimidade avançar com o Corte Popular e recusar a proposta de indenização para desocupação da área.

Terminada a Assembléia, Luiz Lopes leva uma companheira até Conceição do Araguaia e, quando está retornando, sofre uma emboscada e é assassinado.

Com a demora do seu retorno, um de seus filhos saiu à sua procura e encontrou seu corpo junto da motocicleta que lhe servia de transporte. Todos os seus pertences e documentos estavam intocados.
Camponeses de Conceição do Araguaia despedem-se do seu líder

No dia 22 de junho, os camponeses de Conceição do Araguaia, Redenção e região realizaram uma marcante homenagem ao líder camponês Luiz Lopes. Após a missa de 7º dia que lotou a Igreja Matriz de Conceição, os camponeses, representantes de sindicatos, estudantes e a população que conhecia e respeitava Luiz Lopes por sua dedicação à causa da Revolução Agrária entoavam palavras de ordem exigindo justiça. Na Feira Central de Conceição do Araguaia, onde ele trabalhou durante 14 anos, feirantes, camponeses, condutores de moto-taxi, motoristas, pequenos comerciantes e muitas pessoas que passavam pelo local aplaudiram a memória do líder camponês e expressaram sua revolta diante do seu assassinato.

A passeata foi encerrada diante da sede do Incra, onde os guardas e funcionários se atropelavam em correria apavorada perante a indignação das massas camponesas. Mais uma vez, esse órgão da falida ‘reforma’ agrária do velho Estado revelou seu papel de serviçal do latifúndio, negando-se a responder aos questionamentos dos camponeses.

Em nota de denúncia e protesto, a LCP do Pará e Tocantins reafirma e mantém erguida a bandeira de seu líder assassinado, assumindo o compromisso de levar adiante a sua luta: "A morte do companheiro Luiz Lopes foi por causa de sua luta em defesa dos camponeses, em defesa de um país sem latifúndio, por ele sempre ter se colocado à frente do combate às injustiças e barbaridades cometidas contra o povo. Sua morte não foi em vão, seu exemplo de dedicação será lembrado para sempre e a semente lançada por ele vingará e dará bons frutos".

A trama assassina do velho Estado

O Incra
O Instituto havia prometido a entrega de terras em troca da saída das famílias do acampamento Gabriel Pimenta, situado em uma das fazendas do complexo Forkilha. E mesmo essa promessa foi quebrada pelo Incra.

A Pistolagem
Um agente do latifúndio identificado pelos camponeses como "Rubão" teria ameaçado Luiz Lopes caso as famílias não saíssem da Forkilha.

O latifúndio
O Grupo Tortura Nunca Mais — RJ, publicou em sua página na internet que "no dia anterior (à morte de Luiz Lopes), um pistoleiro foi à casa de uma ativista da LCP e ameaçou a ela e a Luiz. "Vocês ganharam um prêmio e vocês vão receber ele essa semana", teria dito o pistoleiro, conhecido por trabalhar para o latifundiário José Hernandez. Luiz era a principal testemunha de acusação contra Hernandez, acusado de ser o mandante do assassinato de outro camponês, De Assis, liderança do assentamento Nazaré".

Vivos na memória do povo
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Gabriel Pimenta, morto em 1982

http://www.anovademocracia.com.br/55/12box2.jpg
Paulo Fontelenes, morto em 1987

Os meses de junho e julho são lembrados com pesar e ódio de classe pelos camponeses pobres do Pará. São meses em que tombaram na luta três dos seus maiores defensores e representantes. Há 27 anos, Gabriel Pimenta, advogado dos camponeses pobres do sul do Pará foi covardemente assassinado pelas costas, aos 27 anos, em 18 de julho de 1982.Há 22 anos, em 17 de junho de 1987, tombou em pleno ofício o advogado e ex-deputado estadual Paulo Fonteles, executado a mando do latifúndio por sua luta em defesa dos camponeses pobres e posseiros do sul e sudeste do Pará. Soma-se a eles no lugar reservado aos heróis do povo do Pará o dirigente camponês Luiz Lopes de Barros.

Pistolagem: o velho Estado armado contra o povo

A pistolagem é uma política corrente do velho Estado para aplacar o movimento camponês. O monopólio dos meios de comunicação, em sua linha editorial encomendada pelo imperialismo, pela grande burguesia e pelo latifúndio, tenta a todo custo descaracterizar os bandos de pistoleiros do latifúndio semifeudal, imputando-lhes a condição de "seguranças privados", "funcionários dos fazendeiros", ou outra terminologia qualquer.

Os números de mortes de camponeses em conflitos pela posse da terra são alarmantes e são a prova documental da política genocida levada a cabo pela gerência de turno contra os pobres do campo.

Já em abril último a Comissão Pastoral da Terra denunciou que o número de assassinatos no campo cresceu 80% na região norte do país, sendo que 72% dos assassinatos de camponeses ocorreram na região amazônica e 46% apenas no estado do Pará.

Isso, tratando apenas de dados oficiais, sem levar em conta os inúmeros "desaparecidos" e assassinatos no campo não registrados diariamente em todo o país.
O governo do Pará é um governo de tortura, que chama os trabalhadores de bandidos. A revista IstoÉ, sem apurar o que está se passando, também nos chama de bandidos. Eu sou um companheiro que se pode falar, tenho coragem. Tenho denunciado, tenho ido à Brasília, falado com repórteres, falado sobre nossa situação. Depois que a Ana Júlia (governadora do Pará) determinou aquela "paz no campo", que é a tortura no campo, já morreram mais de 10 companheiros. Muitos, além de serem torturados, foram perseguidos pela "justiça", e muitos ainda hoje são perseguidos.

Eu quero dizer o seguinte: temos que nos unir, camponeses e operários, e fazer a Revolução Agrária nesse país. Só assim conseguiremos os nossos direitos. Assim vamos vencer essa batalha.

Revolução agrária já!"

Fala de Luiz Lopes durante ato do 1º de maio classista de 2008 em São Paulo.

domingo, 2 de agosto de 2009

Daniel Dantas, Sarney e Lula. Nada a ver?

(DO SITE DA FUNDAÇÃO LAURO CAMPOS)
Milton Temer
A Operação Satiagraha já havia detectado. O delegado Protógenes já havia tornado público. Agora é o próprio jornalão do Rio, em bem fundada matéria de Liana Melo, quem confirma aos brasileiros que não adianta apenas se precaver contra o que antes se localizava nas falcatruas financeiras. Agora, temos um instrumento de atividade predatória muito mais perigoso, nas mãos do banqueiro Daniel Dantas e sua troupe - a apropriação, por meio da Global Mine Exploration (GME) de nada mais, nada menos do que 2,1 milhões de hectares do subsolo brasileiro, ao longo de 14 Estados da Federação.

Ou seja, a despeito de tudo o que já justificou aceitação de denúncia contra o referido "elemento" (não é assim que a "puliça" se refere aos pés-de-chinelo que metem no xilindró, às vezes sem culpa formada?), ele encontra espaços para se locupletar com as concessões que lhe são doadas e que propiciam a formação de um outro tipo de banco, no qual o capital estrangeiro vai encontrar a brecha para se apropriar do nosso ferro, do nosso manganês, do nosso ouro, do nosso, enfim, metal precioso ou estratégico, cujo alvará de exploração o banqueiro conseguiu obter no espaço entre as prisões pelos crimes financeiros que lhe são imputados.

Não pode, portanto, calar a pergunta: por que meios, esse sempre suspeito de estar cometendo alguma ação atentatória ao bem comum obtém tais privilegiadas concessões? Sim, porque para explorar o subsolo, a Constituição impõe a obtenção de licença do poder público, já que o proprietário do solo não é dono do que existe nas suas profundezas. E o referido "elemento" já tem em mãos, segundo a reportagem, 1381 autorizações do Departamento Nacional de Produção Mineral, órgão operativo do Ministério de Minas e Energia, sob direção de um dos mais próximos acólitos de Sarney, o pianista Edson Lobão.

Minha tristeza é dupla.. A primeira, como cidadão. A segunda, por ver minha lembrança de juventude tisnada pelo episódio em pauta. 1381 era o número-identidade pelo qual respondia chamadas quando aluno do Colégio Militar. Mas, vida que segue, volto ao grão para colocar questões concretas.

Daniel Dantas pode estar amealhando tal poderio sobre nossas riquezas minerais sem que outras autoridades, além do trêfego e desqualificado Edson Lobão, tenham conhecimento? Uma operação de tal grandeza pode estar sendo concretizada à revelia das informações certamente arquivadas na Abin e encaminhadas ao Planalto, sem que isso inspire nenhuma preocupação à Presidência da República? Melhor dizendo, sem que isso inspire qualquer preocupação a Luiz Inácio Lula da Silva?

Se não estiver causando nenhuma preocupação, ninguém poderá impedir a óbvia conclusão: há algo mais do que aviões de carreira nos céus que propiciam tão sólida aliança entre Sarney e Lula. Os nomes e instâncias governamentais envolvidos nesses ramos de negócios do banqueiro Daniel Dantas comprovam que, a despeito do que se passa no âmbito da política parlamentar, alguma coisa de comum, e sólida, existe na relação entre os Presidentes da República e do Senado, sem o que não se explicaria tantas benesses ao suspeito indiciado, denunciado e já condenado banqueiro Daniel Dantas. Há, entre os três, algo em comum, soterrado por milhões de toneladas de solo brasileiro. Vale a pena a atenção de perto sobre o desdobramento das ações do predador.

Milton Temer é jornalista e presidente da Fundação Lauro Campos